Arquivo de Abril de 2009

Otimismo pós-crise

Setores de papéis e gráfico já entram em período de estabilidade

A crise econômica que assola o mundo tem gerado muita expectativa para o mercado de uma forma geral. Para alguns a crise já chegou ao seu ápice, para outros ainda muita coisa está por vir. Porém, para o mercado de papéis e gráfico, espera-se que o pior já tenha passado, explica o ex-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP) e diretor da MDD Papéis - representante de seis fábricas de papéis, entre elas Fanapel e Papirus - Marcos Domakoski.

De acordo com ele, as empresas de papel e celulose estão, com muito sacrifício, conseguindo se ajustar a nova demanda mundial, que diminuiu. “Essas fábricas têm dependência nas exportações e, com a atual situação, o número de pedidos vem caindo”, comenta. Porém, ocorreu uma adequação a essa nova realidade, como é o caso de duas fábricas no interior do Paraná, que fizeram paradas, deram férias coletivas e demitiram alguns funcionários para cortar gastos. O preço da celulose também vem decrescendo.

Apesar desse fator, o preço do papel teve um aumento, devido a desvalorização do real perante o dólar e a variação cambial. Segundo o proprietário da Kamipel Distribuidora de Papéis, Fábio Kokubu, mesmo o papel nacional é cotado com base no valor do dólar. Domakoski comenta que “não foram grandes alterações de valores, mas houve necessidade de fazer ajustes para corrigir as distorções cambiais”.

Ele acredita que esse é um dos setores que tende a sofrer menos, pois não é exportador e há um aumento do consumo interno. “Há um aquecimento de alguns setores da economia doméstica, especialmente no setor editorial, capitaneado pelas compras governamentais, o que acaba atenuando o problema do setor gráfico, mas o cobertor continua curto”, explica.

Para o proprietário da Kamipel, o setor estava investindo muito, nos últimos anos, no parque produtivo em função do crescimento econômico, disponibilidade de crédito e câmbio favorável. “Agora investirão em qualificação, melhoria de processos e marketing”, relata Kokubu.

Para o mercado de papéis e gráfico “esperamos já ter chegado ao fundo do poço”, diz Domakoski. Ele fala que os clientes que representa, tanto nacionais quanto internacionais, estão atentos, mas que a produção já está voltando à capacidade nominal. “Também senti uma melhora no número de pedidos aqui. Em janeiro e fevereiro houve uma redução em relação aos anos anteriores, mas em março o faturamento está próximo ao de mesmo mês de 2008″, contabiliza. Kokubu também relata o mesmo fato. “A demanda diminuiu nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, mas em março já sentimos uma melhora”, relata.

Na visão de Domakoski, os dois setores são “bem administrados e relativamente bem capitalizados, o que permitiu uma adequação rápida à nova realidade”.

Situação no Brasil

Segundo o ex-presidente da ACP, essa crise é sem precedentes. “Na minha opinião é pior do que a crise de 29, pois o mundo está mais globalizado, com informações instantâneas, afetando todos os segmentos e gerando uma grande crise de confiança”, esclarece.

O Brasil também foi muito afetado, porém “reúne condições de se colocar numa posição menos desastrosa. A macroeconomia do país vai bem, quase sem inflação, com mais consumidores, com um sistema financeiro sólido, com espaço para queda maior dos juros e com o governo sendo detentor de grande parcela dos financiamentos no país. Estes elementos podem facilitar a saída do Brasil da crise”, finaliza Domakoski.

Kelly Ayres
RDO Brasil

Sem comentários »