Muito mais do que filtrar a luz

O vidro como objeto de decoração

A origem do vidro é rodeada por mistérios. Não há dados precisos, mas historiadores acreditam que o vidro já era conhecido quatro mil anos antes de Cristo, pois foram descobertos objetos de vidro nas necrópoles egípcias. Conta-se que foram os navegadores fenícios os precursores da indústria do vidro. Os navegadores fizeram fogueiras na praia para aquecer suas refeições e perceberam que a areia e o calcário das conchas se combinavam através da ação da alta temperatura. Foi uma descoberta casual e hoje o vidro está presente no cotidiano de todos e tem múltiplas aplicações, desde janelas para casas e edifícios, pára-brisas e janelas dos automóveis, lâmpadas, garrafas, frascos, recipientes, copos, lentes, tela de televisores e monitores, fibra ótica, entre muitas outras utilidades.

A base para fabricação do vidro sempre foi a mesma, o que mudou foram algumas composições e a tecnologia, que acelerou o processo e possibilitou maior diversidade para seu uso. Na decoração o vidro já era utilizado desde o século X, nos vitrais de igrejas e catedrais. O efeito da luz solar que penetrava pelos vitrais, conferia uma maior imponência e espiritualidade ao ambiente. Hoje os vitrais ainda são utilizados, tanto em igrejas, quanto nas casas. Também servem de base para acessórios como luminárias, porta-retratos, castiçais, cachepôs e até mesmo em móveis.

De acordo com a decoradora Rita Cardoso Alves, nos anos 70 a moda do vitral estava no auge, mas começaram a surgir muitos trabalhos de falsos vitrais, o que fez cair um pouco a procura. “Esses vitrais eram menos resistentes, quase que descartáveis”, explica Rita. Ela conta que o vitral falso é uma pintura no vidro, já o legítimo é composto por pedaços de vidros coloridos colados que formam o desenho. Rita esclarece que o vitral legítimo tem um custo bem maior do que um vitral pintado, pois “dá muito mais trabalho e o vidro utilizado é importado, o que encarece o produto”. O m² de um vitral pode custar de R$ 1.100,00 a R$ 2.500,00. “Mas esse valor vai depender de cada artista”, comenta.

Segundo a decoradora o vitral não pode ser utilizado em qualquer local, precisa haver uma boa situação para iluminação do vitral. “O que dá o efeito e mostra o colorido no vitral é a luz. Caso não haja uma situação de iluminação adequada, ela precisa ser criada artificialmente”, explica. Além disso, o vitral tem que se integrar com a decoração do ambiente. “Existe um projeto certo para cada necessidade”, expõe. O vitral tem que ser utilizados em ambientes certos e que exijam algo mais trabalhado. “Ele pode ser utilizado num hall de entrada, vão de escada, clarabóia e em divisórias, o que permite a decoração de dois ambientes”, descreve Rita. Já nos móveis, a decoradora conta que o vitral pode ser utilizado em armários de sala, tampos de mesa de centro e cristaleiras, “em móveis mais antigos, em que se queira aliviar a decoração”. Ela acrescenta que o vitral pode ser utilizado como um detalhe.

Além dos vitrais, o vidro pode ser aplicado em divisórias, tetos e paredes de ambientes residenciais e comerciais, assim como nos móveis: roupeiros, cristaleiras, frontais de gavetas, estantes, racks, tampos de mesas, aparadores, portas de armários de cozinha e de quarto, prateleiras. São utilizadas técnicas como jateamento, texturização, laminação e coloração, que tornam o vidro em um grande aliado na decoração.

Kelly Ayres
RDO Brasil
Matéria publicada na Revista Ética & Estética - ed. 35



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